21 janeiro 2011
Ócio...não! É o excesso de trabalho!
Mas neste ano pretendo voltar a postar neste mesmo Blog e nesta mesma Internet.
Esse mundo é um caos/ Essa vida é um caos!
14 julho 2010
“É POSSÍVEL HAVER DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SEM A DESTRUIÇÃO DA NATUREZA?”
13 julho 2010
É possível haver desenvolvimento econômico sem a destruição da natureza? - I Torneio de Debates USC 2009
Contudo, este pensamento baconiano tornou-se mais refinado e holístico, e hoje volta-se para nossas próprias ações. Assim, podemos dizer que as previsões científicas, este "poder" de Bacon, nos traz possibilidades de ação, tornando possível uma mudança em nossa atitude. De que serviria hoje esta face científica se não nos proporcionasse esta capacidade de mudança em nós mesmos? Por isso, para que não caiamos numa falácia de apelo à ignorância, e tendo em mente que estamos vivendo no mundo real, com consequências reais, e não em jogos lógicos, a ação se torna nossa melhor saída."
03 julho 2010
Religião e Intolerância
14 abril 2010
Cadê as atualizações?!
Agradecemos a paciência e a leitura de todos vocês, bem como os comentários sobre nossas ideias expostas neste espaço.
07 fevereiro 2010
Espaço e Tempo Sagrado

O ESPAÇO SAGRADO
Através de um exercício dialético, Mircea Eliade designa aquilo que faz parte do mundo do sagrado em contrapartida àquilo que pertence ao contexto do profano. A partir disso, o autor coloca ambos em pontos extremos: o profano é o caos, o devir, o relativismo, mudança constante e, portanto, irreal; enquanto que o sagrado é aquilo que ordena o caos, é o cosmos,constância, verdade universal e, portanto, única realidade. Mesmo que ambos os espaços sejam essencialmente diferentes, o limiar entre um e outro dá uma continuidade da idéia espacial, e serve para mostrar ao homem exatamente esta diferença, deixando-o cônscio de que o espaço sagrado não é mundano, é divino. Portanto, o limiar entre os espaços sagrado e profano é sempre utilizado como local para sacrifícios, julgamentos e reverências, além de conter sinais claros que alertam sobre a distância de ambos os locais. Um bom exemplo disso são as gárgulas que, no período medieval, eram adornações de feras e demônios, que tanto protegiam as igrejas, como alertavam aos fiéis os perigos que os aguardavam no mundo profano.
Mas sendo o espaço sagrado a única realidade, o autor afirma que “a manifestação do sagrado funda ontologicamente o mundo”, ou seja, antes da hierofania há o nada; depois dela, há tudo que existe. E o ponto em que o mundo é fundado passa a ser o “centro do mundo”, ou o “centro do nosso mundo”, exatamente por ter sido ali o local de partida. Afinal de contas, o universo se inicia no centro. Por isso mesmo, toda a vida social, e as construções humanas que comporão o espaço de convivência de determinado povo girarão em torno deste local sagrado, deste centro.
O “centro do mundo” é sempre designado por um símbolo (axis mundi), que coloca em comunicação os mundos supraterrestre, terrestre e subterrestre. Esses símbolos compõem todo um “sistema do mundo” das sociedades religiosas, e são compostos de imagens diferentes, como uma rotura que é simbolizada por uma "abertura" que permite o trânsito e a comunicação entre as regiões cósmicas, comunicação esta feita pelo "Axis Mundi" (que pode ser um pilar, uma escada, uma montanha, etc) envolta do qual o "Mundo" se compõe (o mundo em questão sempre será um mundo específico, o "nosso mundo") o que, portanto, constitui o Centro do Mundo".
O interessante é que os símbolos em si já são suficientes para sacralizar um espaço, sem a necessidade de uma teofania ou uma hierofania. Até mesmo um animal pode sacralizar determinado local, mas nunca o homem. Este não tem o poder criar um espaço, um mundo. Ele apenas o reconhece e passa a viver nele, reproduzindo sempre em microescala o processo cosmogônico.
Todo este processo de re-encenação do sagrado em todos os âmbitos de sua vida, desde a construção das cidades, até a construção de sua própria casa, mostra para Eliade que o homem religioso tem uma necessidade de objetividade, que o mundo profano, por ser devir, não lhe proporciona. Assim, “toda morada situa-se perto do Axis mundi, pois o homem religioso só pode viver implantado na realidade absoluta”.
Uma outra forma de repetir o processo de cosmogonia é através do Bauopfer , que são “sacrifícios sangrentos ou simbólicos em proveito de uma construção”. É a santificação das construções através de rituais de sacrifício, que dão alma, anima, ao local.
Assim sendo, a habitação do homem religioso é seu próprio universo, que ele cria para si através da repetição da criação exemplar dos deuses. Ela está no centro do mundo, não de forma física e material, mas de forma espiritual e existencial. É um simbolismo presente em todas as comunidades religiosas primitivas, sendo retomado pela arquitetura sacra surgida posteriormente.
O lugar santo fixo foi precedido pelo provisório, o que significa dizer que “todos os símbolos e rituais concernentes aos templos, às cidades e às casas derivam, em última instância, da experiência primária do espaço sagrado”. Isso nos leva à última interpretação do homem religioso sobre o espaço sagrado. A partir dos novos contextos sociais e políticos, em que o homem foi se fixando nas cidades, e o surgimento da arquitetura e outras ciências, o templo deixou de ser somente uma imago mundi e passou a ser também a reprodução de um modelo transcendente. Este templo, pela sua santidade, está completamente fora de toda a corrupção terrestre, sendo puro por excelência. Assim, ele ressantifica todo o mundo continuamente.
Conclui Eliade que “a experiência do sagrado torna possível a ‘fundação do mundo’: lá onde o sagrado se manifesta no espaço, o real se revela, o mundo vem à existência”. Comunica a passagem ontológica de um modo de ser à outro, revelando os níveis cósmicos, além de projetar o centro do mundo através da consagração do espaço pela hierofania e a repetição da cosmogonia. Em outras palavras, “o mundo deixa-se perceber como mundo, como cosmos, à medida que se revela como mundo sagrado”.
É preciso recosmizar o mundo através dos rituais, porque a única realidade é o mundo sagrado, e o homem precisa viver no mundo real, como necessidade ontológica do Ser.
Para o homem religioso, o caos é o nada. Assim, o espaço profano lhe causa um terror diante do nada, por ser um espaço desconhecido, fora de seu mundo, sem orientatio e, portanto, sem sentido prévio dado pelos deuses. É o não-ser absoluto. Por isso mesmo, ele persegue formas de permanecer o mais próximo possível dos deuses, no espaço sagrado e, também, no tempo sagrado.
O TEMPO SAGRADO
Não há só um espaço sagrado para o homem religioso, onde os deuses se manifestaram ou houve alguma outra forma de sacralização, como também há o tempo sagrado, que marca o período cosmogônico. Ele não é homogêneo nem contínuo e, pela sua natureza não fluente, torna-se reversível, pois é um “tempo mítico primordial tornado presente”.
As festas religiosas, o tempo litúrgico são reatualizações de um evento sagrado. Estar na festa significa sair do tempo profano, que nada mais é do que uma “duração ordinária na qual se inscrevem os atos privados de significado religioso”. O tempo sagrado, no entanto, é ontológico, sempre igual a si mesmo, nunca muda nem se esgota, e o intuito destas festas é o de reencontrar este mesmo tempo dos primórdios.
A vida do homem religioso, portanto, se faz no tempo sagrado e no tempo profano. No primeiro, o tempo é circular e recuperável, um presente constante que pode ser revivido através dos ritos. Assim, enquanto o homem não-religioso vive apenas no presente histórico, o homem religioso se esforça para voltar à se reunir com os deuses nesse Tempo mítico, nesta "eternidade".
No entanto, segundo Eliade, o homem não-religioso também tem experiências transcendentais semelhantes ao tempo sagrado. Elas se dão em momentos intensos para o indivíduo, como ouvir uma música de que gosta muito ou esperar pelo encontro com a pessoa a quem ama. A diferença para com o homem religioso está na sacralidade destes períodos, já que para o homem não-religioso o tempo não apresenta mistério nem rotura, é linear (com um começo e um fim), havendo o fim total da existência. O homem religioso, por sua, “pára” o tempo profano através das festas que evocam o tempo sagrado. Isso se dá pela natureza deste tempo mítico, explanada anteriormente.
Diz o autor que alguns estudos mostraram que muitos povos utilizam a mesma palavra para designar o mundo, o universo em que vivem, e o ano, a passagem de tempo. Assim, percebe-se que cada novo ano marca o nascimento de um novo mundo, que se renova após a purificação das festas e ritos de final de ano. “O Cosmos é concebido como uma unidade viva que nasce, se desenvolve e se extingue no último dia do Ano, para renascer no dia do Ano-Novo”. Porém este renascimento é um nascimento, pois para estes povos o tempo começa desde o seu início.
Há, portanto, uma equivalência entre o templum, espaço sagrado, e o tempus, o tempo sagrado, visto que “templus exprime o espacial, tempus o temporal. O conjunto desses dois elementos constitui uma imagem circular espaço-temporal”. Em outras palavras, para o homem religioso arcaico, o mundo se renova anualmente, ou seja, a cada novo ano o mundo é recriado.
O tempo cósmico nasce com o Cosmos. Assim, toda criação ocorre no começo do tempo e, por isso, a necessidade de recriá-lo e, a partir desta recriação, haver o renascimento do mundo. Esse processo se dá pelas festas anuais, que recriam a cosmogonia. Ela é o momento em que os deuses se manifestaram de forma suprema e plena, num “gesto exemplar de força, superabundância e criatividade”. Se o homem religioso quer viver sempre no real, e a única realidade é sacra, todas essas ações são esforços para que ele se encontre sempre no tempo e espaço sagrados, ou seja, na fonte da realidade, no começo do mundo.
Estes aspectos fazem Eliade apontar dois pontos importantes: 1) a repetição da cosmogonia regenera o Tempo; e 2) o homem religioso nasce novamente ao participar ritualisticamente da recriação do mundo. Segundo o autor, isto faz com que percebamos aspectos importantes do comportamento do homem religioso, principalmente em relação ao Tempo, como o esforço do mesmo ao participar novamente deste Tempo mítico e o ato dos deuses neste mesmo período servir como modelo para todo ato de criação de seu mundo, como sua cidade, sua casa, etc.
A reatualização da cosmogonia também é feita quando o homem religioso quer salvar suas colheitas, ganhar uma guerra, mas, principalmente, curar uma doença. O processo de cura é a regeneração do ser humano que, na verdade, só pode renascer novamente de forma simbólica. Diz o autor: “A concepção subjacente a esses rituais de cura parece ser a seguinte: a Vida não pode ser reparada, mas somente recriada pela repetição simbólica da cosmogonia”, já que ela é o modelo exemplar de todo e qualquer ato de criação.
A eficácia do medicamento só se dá quando se evoca ritualmente a sua origem diante do doente, contanto a história da doença ou de quem a causou, e o momento em que este mal foi vencido por uma divindade ou santo. Assim, o mito de origem da doença nada mais é do que uma cópia do mito cosmogônico.
Todo o calendário sagrado é a constituição da reatualização cosmogônica, e as festas sempre acontecem no tempo original, sagrado. Em outras palavras, nestes momentos os homens se tornam contemporâneos dos deuses. Isso diferencia o comportamento do indivíduo durante a festa daquele de antes ou depois, pois este momento é sacro, especial, é a própria eternidade.
Estas festas sagradas também têm outro objetivo, que é reensinar aos homens a sacralidade dos modelos exemplares divinos, evitando com que eles se percam. Por isso, certos afazeres cotidianos são repetidos nestas ocasiões, mas com uma esfera diferente, porque se trata da atualização de um ensinamento divino. Nas “civilizações primitivas tudo o que o homem faz tem um modelo trans-humano; portanto, mesmo fora do tempo festivo, seus gestos imitam os modelos exemplares fixados pelos deuses e pelos Antepassados míticos”.
O desejo do homem religioso de viver no tempo mítico é uma “nostalgia de uma situação paradisíaca”, na perspectiva de Eliade. Isso pode até parecer uma recusa à vida e ao mundo, no entanto é exatamente o contrário. Ele nos diz que o homem religioso assume para si toda a responsabilidade ao colaborar no ato de criação do Cosmos e seu próprio mundo, além de assegurar a vida das plantas, dos animais, etc. É uma responsabilidade cósmica e, portanto, bastante diferente daquela a que, contemporaneamente, damos valor.
Aquilo que o autor chama de “obsessão ontológica” é visto como uma visão completamente otimista, já que o homem religioso acaba aderindo totalmente ao Ser e luta para que esteja sempre em sua presença, quer espacial, quer temporalmente. E, para além disse: toma seu ato de criação como modelo a ser seguido em todos os âmbitos de sua existência.
O mito é o modelo por ser uma verdade ontológica, absoluta. E o é porque foi revelado através da palavra já que, em essência, é um mistério e só fala da realidade e, portanto, da verdade.”É evidente que se trata de realidades sagradas, pois o sagrado é o real por excelência. Tudo o que pertence à esfera do profano não participa do Ser, visto que o profano não foi fundado ontologicamente pelo mito, não tem modelo exemplar”.
É o fato do mito ser verdadeiro ontologicamente e, conseqüentemente, servir de modelo que ele também é aquilo que dá significado à vida do homem, visto que tudo aquilo que ele fizer tem uma razão cósmica. A descrição que o mito faz das irrupções do sagrado lhe confere o status de fundação do mundo, da realidade e traz consigo toda uma gama de “por ques” que são ligados ao “como”, pois “narrando como vieram à existência as coisas, o homem explica-as e responde indiretamente a uma outra questão: por que elas vieram à existência?”.
Analisando o homem religioso frente ao sagrado, Eliade conclui que ele quer ser diferente de como é no âmbito profano e, portanto, acaba por construir a sua existência ao tentar seguir todos os modelos divinos. A única história que faz o homem religioso é a História sagrada que é revelado pelos mitos, à qual ele não só segue, mas se insere completamente. Assim, “o homem só se torna verdadeiro homem conformando-se ao ensinamento dos mitos, imitando os deuses”.
Com isso, o autor finaliza seu capítulo acerca do tempo sagrado fazendo uma diferenciação entre história sagrada, história e historicismo. A história sagrada é aquela que se passou nos tempos primordiais, tendo os deuses ou os seres semidivinos como protagonistas, podendo ser reatualizada e vivida novamente através dos rituais religiosos. A história, por sua vez, se dá de forma linear no tempo profano. Algumas religiões, como o cristianismo, aceitam esta concepção, sendo a irrupção do sagrado intervenções pessoais da divindade nesta linearidade. Há, ainda uma valorização do tempo histórico, quando a própria divindade encarna e vive condicionada neste tempo. O historicismo, por sua vez, “é o produto da decomposição do cristianismo: ele concede uma importância decisiva ao acontecimento histórico” como tal, sem dar-lhe qualquer sentido ou intenção para além dele próprio. É o que fazem as filosofias contemporâneas após a idéia de dialética histórica hegeliana.
29 janeiro 2010
Um abismo ético em terras tupiniquins *

Infelizmente a cultura brasileira, estimulada pelo capitalismo, tem se intensificado em um processo de individualização, ao qual a máxima “cada um por si e Deus por todos” torna-se uma verdade absoluta e transcendental, cujo fim torna-se pragmático e utilitário. Podemos observar na lei de Gerson (levar vantagem em tudo) o maior exemplo desta jocosa premissa.
Para grande parte do povo brasileiro, jogar as responsabilidades aos governantes é muito mais cômodo, o que os expurga de uma autêntica autonomia ética. Este processo de expurgação da responsabilidade, por sua vez, possibilita a parafernália política que assistimos diariamente, tornando boa parcela da população apática, conformada e inócua.
O sociólogo francês Jean Baudrillard, em seu livro intitulado “A sombra das maiorias silenciosas” comparou o social, ostentado por simulacros consumistas, a um buraco negro que suga e destrói qualquer ideal, o que solidifica qualquer mudança no paradigma ideológico. Tais pensamentos fazem jus a nossa realidade social, onde as massas se mobilizam em torno do time do coração e da protagonista da novela global, enquanto as disparidades sociais e as “ímpias” diretrizes políticas de nossos governantes vão por água abaixo.
Diante de problemas abissais, como podemos melhorar a idiossincrasia ética do povo brasileiro? È bom evidenciar que o Brasil não sairá do lugar enquanto não houverem “micro-revoluções”, ou seja, os indivíduos se conscientizarem de que co-existir com o outro é também tornar-se responsável por ele. Idéia que nos faz resgatar a ética humanista elaborada pro Jean Paul Sartre; “Ao escolher por mim, escolho pela humanidade”, ou seja, minhas ações não estão restritas ao meu eu, mas a todos que convivo. Pode-se concluir que uma maneira de sanar o abismo ético tupiniquim, é mostrar as pessoas que as minhas escolhas não circunscrevem somente a minha pessoa, mas também ao andarilho da esquina, as crianças sem escola do Maranhão, aos idosos ribeirinhos...
* Não gostei deste texto, utilizei ele com o fim de conseguir uma boa nota no ENEM, pelo jeito surtiu resultado, pois tirei a pontuação máxima (1000), acho que não era pra tanto e a pinga que tomei antes da prova me fez bem ;)
07 janeiro 2010
Moral e Religião

Este pode, de início, parecer um argumento interessante, que se sustente, mas, particularmente, eu nunca vi sentido nele. Ao menos, não da religião como provedora de uma conduta moral - para mim ela sempre foi uma catalizadora dela. Digo isto no sentido de pensar que não foi a religião que estabeleceu os valores humanos, mas sim da própria sociedade, no andar de seu processo constitutivo, tê-los estabelecido e ter utilizado a sacralidade da religião para preservá-los e transmiti-los. E, assinstindo por estes dias o documentário da BBC The Atheism Tapes, na conversa de Johnatan Miller com o físico e prêmio Nobel Steven Weinberg, vi um argumento bastante interessante.
Coloca Weinberg que as pessoas têm o hábito de falar que, quando um ato muito terrível é cometido por um religioso, como por exemplo o ataque ao World Trade Center, ou qualquer outro ato terrorista, aquelas pessoas que o cometeram não são religiosas de verdade, mesmo que tenham cometido suas ações crendo sinceramente que aquilo era uma obra divina e estivessem, portando, atuando de forma religiosa. Ou seja, elas definem um ato moral não através da religião, mas através de sua própria carga cultural... Sua moralidade não é definida pela religião, pois elas conseguem fazer o movimento de definir o que é religião através de sua moralidade. Há, portanto, uma inversão do processo que comumente se pensa na relação entre moralidade e religião.
Talvez seja um argumento interessante por aqueles que se interessam por moralidade e religião, não tenho dúvidas de que pode ser melhor aprofundado e desenvolvido à luz da filosofia e, porque não, de outras áreas das ciências humanas. Por fim, deixo aqui o link para download do The Atheist Tapes (a "fita" com o Steven Weinberg é a 2): http://cafesfilosoficos.wordpress.com/2009/08/23/as-fitas-do-ateismo/
30 dezembro 2009
O suicídio
Ontem em uma conversa habitual antes do jantar, minha sogra falava de um rapaz que se suicidou e atribuiu a isto um ato de fraqueza, e eu como um bom ruminante, fiquei pensando naquelas palavras, o que fez submergir alguns demônios filosóficos e, por conseguinte, resolvi escrever esta pequena dissertação.
Como premissa primeira, não vejo o suicídio como uma fraqueza ou algo ontologicamente maléfico, e sim um ato contaminado pro valores axiológicos cristãos e decadentes (que nietzschiano fui agora). O ato de tirar sua própria vida é visto pela cultura dominante como um ato de fracasso e covardia, uma aberração psiquiátrica, onde o potencial suicida tem de ser curado desta maligna obsessão. Contudo, através de uma análise histórica, podemos perceber que a conotação pejorativa ligada ao suicídio advém, principalmente, da moral cristã que prega este crime como um dos maiores pecados.
Em tempos primitivos, era costume o ancião suicidar-se para promover o bem comum social. No Egito antigo, foi criada a Academia de Sinapotumenos, que ensinava aos servos morrerem junto ao faraó, para não abandoná-lo no mundo dos mortos. Na Grécia antiga, o suicídio poderia ser considerado um crime contra a sociedade, e o potencial suicida deveria comunicar seu suicídio e esperar o consenso da comunidade, contudo, o suicídio na Grécia era sentenciado àqueles que praticavam crime contra o Estado grego, o caso mais famoso foi o do filósofo Sócrates, condenado a beber cicuta depois de ser acusado de corromper a juventude e por impiedade aos deuses. Na Roma antiga, com certa influência do estoicismo, o suicídio ganha uma conotação política, como ato de resistência perante o poder político opressor, vide como exemplo a morte de Sêneca perante Nero e a de Catão diante da soberania de César. Até mesmo nos primórdios do cristianismo, era costume que uma horda de cristão tirasse a própria vida, visando o alívio dos sofrimentos terrenos e buscando o cessar da dor junto a Deus. Por isso, devido a grande parcela de cristãos que praticavam suicídio, a Igreja através do Concílio de Arles decide condenar o suicídio como um crime, pregando a ausência de rituais o repúdio de Deus ao suicidado.
Com este argumento, ao longo da história do ocidente, o suicídio foi elevado ao patamar de um tabu social, atribuindo valores negativos ao suicida, sempre condenando-o pelo crime a sua vida. Nietzsche em um de seus livros cita que "O suicídio é admitir a morte no tempo certo e com liberdade", ou como o professor Orlandi da Unicamp expressa em sua palestra sobre ética em Deleuze, o suicídio do filósofo francês foi ato extremamente singular do filósofo, onde o mesmo exerceu o direito de tirar a sua própria vida.
Levando em conta o princípio de que a vida é singular, por que temos de julgar o ato de suicídio do outro? Onde está a autonomia da pessoa em decidir se não quer mais viver? Por que devo dizer a um Deleuze que não se deve pular da janela? O que faz minha verdade e minha crença ser mais verdadeira do que a outra? Por que o suicídio é uma fraqueza se nada contra a corrente dos valores em voga em nossa cultura? Será que o ato de tirar a própria vida não advém muito mais da coragem do que da covardia?
São questões que para serem respondidas é preciso estar para além do bem e do mal...
13 novembro 2009
Um pouco sobre Heidegger...

O método fenomenológico é evidente na problemática de Heidegger, que parte do conhecimento imediato do que se apresenta à consciência (o ente) para atingir uma problemática mais profunda (o ser). Como ponto de partida, o filosofar deve partir da existência humana (chamado por Heidegger de “Dasein”, traduzido ao português por ser-aí) e suas relações no tempo para chegar à questão mais profunda de todas: O que é o ser?
Na análise do Dasein, o filósofo chega a alguns conceitos fundamentais da existência: O homem existe em um mundo factual, imerso em condições históricas, sociais, ambientais e econômicas; A partir disto, o homem busca projetar-se além de si, ou seja, sempre constrói planos de ir além de sua condição presente; Contudo, o eu que fundamenta o projeto, entra inevitavelmente em decadência (ruína) ao se chocar com os outros, dissolvendo-se ante o impessoal do outro.
O modo de ser do homem é fazer da vida um projeto; porém, tal projeto sempre se acha aberto a diversas possibilidades, o que gera no homem a angústia. A angústia é entendida por Heidegger como “manifestação do nada”, pois que sempre nos angustiamos diante de algo indefinido. Para evitar essa angústia inafastável, o homem acaba por mergulhar em uma fuga no impessoal: A existência inautêntica. Essa fuga é caracterizada pelo afastamento e anulação de si mesmo em relação ao outro.
Por outro lado, há a existência autêntica que é aquela que se enfrenta e se reconstrói a partir do nada. Mas de que nada estamos falando aqui? Como o existir se finda na morte (vez que na perspectiva heideggeriana, não há esperança de vida pós-morte), então depreende-se que o limite do homem é dado pelo tempo, pelo prazo de vida de cada um. A morte é esse nada que revela nossa finitude como seres humanos. Não há céu, nem Deus, nem esperança para nos acolher: o ser resta entregue a si mesmo, ao nada que sempre foi. O morrer é a consolidação do nada como definição existencial.
Ser autêntico é se afirmar diante dos projetos futuros, considerando tudo isso. A existência, na sua forma mais autêntica, só pode se dar dentro do tempo, interligando o passado e o presente (o que me tornei) aos projetos futuros (o que poderei ser), sempre tendo sob horizonte a idéia da morte e a consolidação do momento.
Heidegger busca assim uma síntese entre o existencialismo de Kierkegaard e a fenomenologia de Husserl, desconstruindo em certa medida os dualismos artificiais típicos da metafísica clássica como, por exemplo, “ser versus aparecer” e “corpo versus alma”, enquanto conserva a irredutível independência entre "eu" e o "próximo" e indo ao encontro da verdadeira filosofia, aquela que transcende o mundo do mero ente e busca no mistério da metafísica as respostas sobre o ser.
O autor Felipe Camargo é graduando em Filosofia pela USC –Bauru, sob a orientação do prof. Silvio Motta Maximino (JORNAL DA CIDADE - 9/11/2009 - Bauru)
20 setembro 2009
A onda, os microfascismos e a vontade apocalíptica.
Há muito tempo que um filme não me impressionava tanto como o alemão “A onda” (Die Welle, 2008), baseado na história verdadeira de Ron Jones, um professor de história contemporânea de uma escola secundária da Califórnia (diferentemente do filme, que ocorre na Alemanha). Em uma aula de teoria política, a partir do desinteresse dos alunos, o mestre propôs uma aula embasada nos pressupostos dos regimes fascistas que culminou em uma reação impressionante dos alunos, que inicialmente eram trinta e em apenas quatro dias atingiram a impressionante quantidade de duzentos discentes. Não vou contar mais detalhes da história para não revelar o filme (que estará disponível para download). Mas o que me perturbou foi o aspecto psicológico das massas na construção fascismo. Adolescentes apáticos em relação à política, de repente tornam-se ativistas proliferando ódio e ideais e reafirmando a disciplina, o espírito de grupo e a supremacia de valores.
O psicanalista alemão Wilhelm Reich, em seu livro psicologia de massa do fascismo, prioriza a idéia de que o fascismo não foi algo ideológico imposto uma massa alienada, mas sim desejado pela mesma. Ao ler a magna biografia que Safranski faz de Heidegger, percebe-se o quão esperançoso foi o Nacional-socialismo e a figura de Adolf Hitler para o povo alemão, como diz o próprio Heidegger: No começo doa anos 30 às diferenças de classe em nosso povo tinham-se tornado intoleráveis para todos os alemães com senso de responsabilidade social, bem como o pesado ônus econômico da Alemanha devido ao Tratado de Versailles. No ano de 1932 havia 7 milhões de desempregados que, com suas famílias, só podiam esperar pobreza e necessidade. A perturbação devido a essas condições, que a atual geração nem consegue mais imaginar, também atingiu as universidade [...] Tais enganos já aconteceram com homens maiores do que eu: Hegel viu em Napoleão o espírito do mundo e Hölderlin o viu como o príncipe da festa a qual os deuses e Cristo foram convidados.
O mais impressionante é que o fascismo, como disse Foucault, não existe apenas no âmbito ditatorial e centralizado de Mussolini e Hitler, mas também em todos nós, que assombra nosso espírito e nossas condutas cotidianas, o fascismo que nos faz amar o poder, deseja esta coisa mesma que nos domina e nos explora (Uma Introdução à vida não-fascista). O fascismo não é algo externo que se restringe aos alemães, tanto que a experiência do professor Ron Jones, foi desenvolvida em uma escola dos EUA, onde o meio cultural divergia totalmente daquele encontrado na Alemanha cerca de 30 anos antes.
Deleuze e Guattari em seu rizomático livro Mil Platôs, salientam a idéia de Foucault: “Mas o fascismo é inseparável de focos moleculares, que pululam e saltam de um ponto a outro, em interação, antes de ressoarem todos juntos no Estado nacional-socialista. Fascismo rural e fascismo de cidade ou de bairro, fascismo jovem e fascismo ex-combatente, fascismo de esquerda e de direita, de casal, de família, de escola ou de repartição: cada fascismo se define por um microburaco negro, que vale por si mesmo e comunica com os outros, antes de ressoar num grande buraco negro central generalizado”.
O fascismo não é algo macro e sim molecular, não centralizado e sim disseminado, metástase cancerígena, não existem fascismos e sim disseminações fascistas
O final do filme, a partir desse discurso torna-se previsível. No facismo impera a vontade de destruição: É curioso como, desde o início, os nazistas anunciavam para a Alemanha o que traziam: núpcias e morte ao mesmo tempo, inclusive a sua própria morte e a dos alemães. Eles pensavam que pereceriam, mas que seu empreendimento seria de toda maneira recomeçado: a Europa, o mundo, o sistema planetário. E as pessoas gritavam bravo, não porque não compreendiam, mas porque queriam esta morte que passava pela dos outros. É como uma vontade de arriscar tudo a cada vez, de apostar a morte dos outros contra a sua (Mil Platôs 3). A metáfora da metástase ganha mais força, e o regime suícida do fascismo anula-se : O telegrama 71 — Se a guerra está perdida, que pereça a nação — no qual Hitler decide somar seus esforços aos de seus inimigos para consumar
Ficou interessado? Se quiser assitir ao filme, faça o Download!
Para saber mais:
SAFRANSKI , R Heidegger: Um mestre na Alemanha entre o bem e o mal
DELEUZE E GUATTARI, O Anti-Édipo: Capitalismo e esquizofrênia
____________________ Mil Platôs
FOUCAULT, M. Introdução à uma vida não fascista
REICH, W. Psicologia de massa do Fascismo
11 setembro 2009
A imortalidade e o fim do humano

No início de seu livro, o escritor de Simulacros e simulações, salienta a idéia de que a clonagem em uma perspectiva analítico-reflexiva não passa de um profundo desejo humano de alcançar a imortalidade e romper as barreiras naturais da vida. O homem pode então se desenvolver como uma célula, criando-se a partir de si próprio e disseminando sua existência. Contudo, quando a célula começa a se duplicar incessantemente esquece a morte, produzindo milhares de cópias de si própria ocasionando o aparecimento de tumores, que podem levar o organismo a morte. Analogamente, o homem ao tentar se duplicar porta-se como a célula que teleologicamente atinge sua destruição.
Para Baudrillard, os primeiros seres vivos eram imortais, pois copiavam-se incessantemente eliminando a alteridade e a diferença, ou seja, até então a homogeneidade reinava na atmosfera terrestre. Contudo, aconteceu a autêntica revolução sexual na história: A união da dualidade de seres iniciando novos seres, o que em outras palavras quer dizer o fim da unicidade homogênea. A natureza achará na morte e na união de dois seres diferentes o caminho para um mundo diversificado e aberto à alteridade.
Se a heterogeneidade é o caminho para a criação e evolução, porque o homem sonha com clones homogêneos? Jean Baudrillard tenta responder essa questão com um argumento freudiano, a pulsão pela destruição (Thanathos). O homem não se agüenta como o centro do Universo e procura através da artificialidade uma volta ao passado homogêneo, a convicção em se duplicar disfarça a pulsão de aniquilação do próprio ser humano, esta que se torna evidente a partir do aparecimento de vírus e bactérias super-resistentes.
O pensamento baudrillardiano em relação ao homem que procura seu duplo, remete a história que Saramago cria em seu belo livro O homem duplicado, onde um homem ao encontrar um ator idêntico a si próprio, começa a viver um inferno existencial, culminando em situações destrutivas e escatológicas.
O homem contemporâneo vê na técnica uma forma de superar e abolir a humanidade, não no sentido proposto por Nietzsche, que procura uma afirmação, mas no sentido negativo, de fugir e destruir os preceitos demasiadamente humanos. Em outras palavras, o homem se oculta em um abismo técnico e esterilizado pela ciência, tanto que a definição do homem na atualidade não são os valores axiológicos e ontológicos de outrora, mas sim a estrutura genética.*
As experiências com a reprodução homogênea de seres humanos não são mais do que reflexos de uma monocultura e de um monopensamento consolidados principalmente no século XX, onde o diferente torna-se nocivo e prejudicial e tem de ser abolido de qualquer forma. A clonagem cultural e mental, instaurada pelos tentáculos do sistema (escola, mass media, prisões, hospitais, etc.) antecedem a clonagem biológica.
Na perspectiva de Jean Baudrillard, é preciso se abrir para o diferente e rever a situação humana, não por uma questão de bem ou mal, mas sim por uma questão de sobrevivência da espécie humana, pois a mesma já se encontra em metástase.
*Baudrillard ironiza a definição genética:"Compartilhamos 98% dos genes com gorilas e 90% deles com ratos. Baseado nessa herança comum, que direitos devem reverter para gorilas e ratos?"
06 setembro 2009
O conhecimento e suas perspectivas

Antes de qualquer coisa, precisamos dar uma definição ao que é o conhecimento: Utilizando as palavras da Maria Aranha: “O conhecimento é o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido.” E essa relação, durante toda a história da Filosofia, foi bastante discutida e trouxe muitos problemas, especialmente na contemporaneidade.
Existem basicamente 5 correntes que afirmam a possibilidade do conhecimento, e segundo a definição de Hessen; são elas:
- Dogmatismo: Não existe um problema no conhecimento, pois o sujeito pode claramente conhecer o objeto exatamente da forma que ele é. Os principais representantes dessa corrente são os filósofos pré-socráticos;
- Ceticismo: Oposto do dogmatismo, é impossível para o sujeito conhecer o objeto, logo devemos suspender completamente nosso juízo (epoché). Pode ser divido em ceticismo lógico, metafísica, ético ou religioso, metódico e sistemático. Seu principal representante e fundador é Pirro de Ellis (360-270 a.C.);
- Subjetivismo e relativismo: Para essas correntes, a verdade existe, mas não de forma universal. Enquanto que o subjetivismo defende que ela dependerá do sujeito, o relativismo dirá que ela também dependerá de fatores externos, como o contexto temporal e espacial em que o sujeito está inserido. Os grandes representantes deste pensamento são os sofistas;
- Pragmatismo: Para os pragmáticos, é verdadeiro aquilo que é útil, pois para eles o homem é um ser prático, ativo e dotado de vontade e, portanto, o sentido do conhecimento humano estaria ligado à prática. Teve origem nos Estados Unidos, sendo seu fundador William James (1842-1910).
- Criticismo: Confia na possibilidade de conhecimento, como os dogmáticos, mas acredita que é preciso, antes de tudo, colocar qualquer tipo de afirmação à prova da razão. O principal teórico desta corrente é Immanuel Kant (1724-1804).
Todos os grandes pensadores de nossa época, como Foucault, Deleuze, Derrida, Nietzsche, Husserl, dentre outros, irão defender esse conceito, que é o que rege ciências como a Sociologia, a Antropologia e a Pedagogia.
Outro ponto dos contemporâneos é a ausência da dicotomia sujeito-objeto na questão do conhecimento. Este ponto já é visto como superado, e hoje fala-se de atores dentro da questão do conhecimento, o que tira a limitação de ter de circular entre apenas dois atores (sujeito e objeto), enquanto na verdade existem muitos, como o contexto histórico, o laboratório, a Academia de Ciências, etc. Com isso, o conhecimento, quer seja dentro da ciência, da educação, da filosofia, ou de qualquer outro âmbito, toma um prisma histórico, estando aberto à todas as caracteristicas do contexto que o circunda, eliminando definitivamente qualquer ideia de absolutismo dentro das criações e perspectivas humanas.
25 agosto 2009
Verdade e Conhecimento

Claro que não foi assim que ocorreu, mas essa histórinha serve pra ilustrar como é que a verdade permeia o imaginário humano. Desde que o primeiro homem se questionou acerca do mundo e das coisas que nele estão, que os conceitos de verdade e mentira fazem parte de nossas vidas. E, mesmo que a idéia de verdade absoluta já não esteja mais em voga nos meios acadêmicos, ainda existem esforços para salvar o termo, nem mesmo que seja para ele designar uma verdade momentânea, ou uma meia verdade.
Num primeiro momento, a verdade era tida como uma correspondência daquilo que eu vejo com aquilo que eu penso. Ou seja, o que eu acho da coisa deve ser aquilo que os meus sentidos captam dela. É o que conhecemos como verdade por correspondência. Assim, o sujeito gira em torno do objeto a ser conhecido, e é completamente passivo à ele. É a concepção tida por Aristóteles, ao dizer que as dez categorias que permitem ao homem conhecer encontram-se no objeto cognoscível. Esta idéia permaneceu durante a Idade Média, e até alguns momento da Idade Moderna.
No entando, quando Kant postula que as estruturas a priori que proporcionam o conhecimento das coisas estão no sujeito cognoscente, e não no objeto em si, há uma mudança total na perspectiva acerca do que vem a ser o conhecimento e, consequentemente, no que vem a ser a verdade. Toda a construção da realidade passa a ser subjetiva, e não podemos alcançar nunca a realidade em si mesma, pois estamos limitados por nossas próprias categorias a priori. Em outras palavras, nossa própria capacidade de conhecimento dos fenômenos nos impede de conhecer a "verdade em si" do mundo. Com isso, o conhecimento humano só passa a ter sentido dentro de seu próprio contexto.
Com essa subjetividade, que dará nascimento ao relativismo, houve uma grande crise no conhecimento e na idéia de verdade, que até hoje tentamos superar. Com o fim da verdade por correspondência, ou seja, da verdade absoluta, inúmeros pensadores correram para tentar formular alguma teoria que pudesse salvar este conceito tão importante pra vida humana. Assim, nascem outras duas concepções de verdade: a pragmática e a coerencial.
A verdade pragmática defende que um conhecimento pode ser dito como verdadeiro se permitir com que a sociedade e os indivíduos possam viver, evoluir e desenvolver projetos. O que funcionar, é verdadeiro. O que falhar, é falso. A verdade, então, passa a ser uma construção social dos sujeitos e da sociedade.
Já a verdade coerencial diz que é verdadeiro aquilo que é coerente com nossas representações da realidade. É neste tipo de verdade, utilizada na ciência, que podemos dizer que algo foi "explicado": através de um discurso coerente, ligamos as representações feitas de um fenômeno com as representações que já se possui de outros fenômenos.
Essas duas últimas idéias de verdade são as mais utilizadas hoje em dia, em todas as correntes de pensamento que não aceitam mais a existência de verdades absolutas. Nosso conhecimento tornou-se relativo e subjetivo, e ainda tentamos nos adaptar a isso. A verdade absoluta ainda nos rodeia, nos persegue... Mas aos poucos, talvez, nos livraremos desta concepção e passaremos a encarar a nossa limitação, nos vendo como aquilo que somos: um mero segundo na história do Universo.
20 agosto 2009
Fobias estranhas

Sempre fui muito curioso em relação ao comportamneto perante as diversas psicopatologias existentes, e as fobias podem ser consideradas as mais curiosas dessas manifestações humanas. Segue uma lista de algumas fobias um tanto quanto estranhas:
Ablepsifobia - medo de ficar cego
Ablutofobia - medo de tomar banho (no frio pode ser tolerada!) .
Acerofobia - medo a produtos ácidos.
Afobia - medo da falta de fobias (Essa parece piada!)
Aletrorofobia - medo de galinhas
Amnesifobia - medo de perder a memória.
Autofobia - medo de si mesmo ou de ficar sozinho (Isto que é ser auto-confiante)
Automatonofobia - medo de bonecos de ventríloquo, criaturas animatrônicas, estátuas de cera (qualquer coisa que represente falsamente um ser sensível)
Biofobia - medo da vida (Que motivos um cara com Biofobia tem pra ficar vivo?)
Cinetofobia ou cinesofobia - medo de movimento (um cara desse só sente seguro quando morre!)
Cronofobia - medo do tempo
Coprofobia - medo de fezes ( Evite olhar para a privada, principalmente em banheiros públicos!)
Cristãofobia, cristofobia ou cristianofobia - medo dos cristãos (Esse eu tenho!)
Dendrofobia - medo de árvores ( O que faz uma pessoa ter medo de árvores?)
Dextrofobia - medo de objetos do lado direito do corpo
Epistemofobia - medo do conhecimento (esse é o cara que descobriu o segredo do Universo)
Ergofobia - medo do trabalho (Sou um exemplo crônico!)
Eretofobia - medo mórbido de sentir dor durante relações sexuais
Estruminofobia - medo de morrer defecando ( tire suas próprias conclusões )
Filosofobia - medo de filosofia (Depois que conheci a biografia de diversos filósofos comecei a desenvolver essa psicopatologia!)
Fobofobia - medo de fobias
Hipopotomonstrosesquipedaliofobia - medo de palavras grandes (Imagine um cara com essa fobia ouvindo o diagnóstico do Psiquiatra)
Ideofobia - medo de idéias (Isso caracteriza grande parte do sistema de ensino)
Logofobia - medo de palavras
Mitofobia - medo de mitos, histórias ou declarações falsas (Algumas passagens da Bíblia são de tremer!)
Narigofobia - medo de narizes
Octofobia - medo do numero 8
Pedofobia - medo das crianças. (depois que comecei a dar aula desenvolvi uma inclinação a essa fobia)
Ripofobia - medo de defecar (como alguém pode ter medo de algo tão sublime?)
Satanofobia - medo de satã (demônio) (A chave do sucesso de várias religiões)
Sexoafobia - medo de fazer sexo (vide Emmanuel Kant e Isaac Newton)
Sociofobia - medo da sociedade ou de pessoas em geral (Outra fobia que desenvolvi)
Uranusfobia - medo do planeta Urano (Qual o motivo, razão ou circunstância que leva a pessoa a ter medo de um planeta que se situa a mais de um bilhão de km?!)
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_fobias
17 agosto 2009
Conceitos importantes dentro do ateísmo
Nós próximos posts tratarei de questões como: verdade e conhecimento, fênomeno religioso, fé, idéia de deus, ciência e ateísmo. Não necessariamente nessa mesma ordem.
Para começar, gostaria primeiro de dar uma conceituação de duas diferentes formas de ateísmo. Entendendo que, por definição, ateu é aquele que não acredita em qualquer tipo de divindade, dividisse-os em dois grupos:
Ateu Agnóstico: Não acredita na possibilidade de conhecer qualquer tipo de divindade, nenhum tipo de prova contundente a favor ou contra e, portanto, toma como pressuposto que deuses muito provavelmente não existem. Não há qualquer sustentação de certezas. Seria o que John Stuart-Mill definiu como "ateísmo fraco".
Ateu Gnóstico: Acredita que não há qualquer tipo de divindade, e que esse é um fato absolutamente cognoscível, normalmente pelas hard sciences (física, biologia e química) e também pelas soft sciences (filosofia, psicologia, sociologia, antropologia, etc). Há a certeza de que não exista qualquer tipo de deuses. É o que John Stuart-Mill definou como "ateísmo forte".
Pode ser um pouco complicado entender essas diferenças, mas uma frase pode ajudar a esclarecer os conceitos: ausência de crença (ateu agnóstico) não é crença de ausência (ateu gnóstico). Ateísmo e agnosticismo também não são termos excludentes, visto que o segundo está ligado à questão do conhecimento, e não necessariamente religiosa.
Assim, logo de início, vemos que não há um padrão de ateu, principalmente porque não existem dogmas dentro do ateísmo fora, é claro, a descrença na divindade, e a grande maioria alcança sua descrença de forma autônoma, sem imposições alheias. Por isso mesmo não quero fazer apologias, visto que não sou porta voz de nada além de mim mesma. Procurarei apenas levantar algumas questões que cerceiam o ateísmo, com as quais, inclusive, eu me debati durante muito tempo e que continuo refletindo sempre que posso.
Antes de ir, um vídeo pra vocês verem:
06 agosto 2009
A gripe, o porco e a tragicomédia humana.
Estado de pânico! A hipocondria se dissemina assustadoramente, as pessoas com medo não saem mais nas ruas, as que se aventuram são taxadas como corajosas e se defendem energicamente com super máscaras e um pote de álcool em gel para desinfetar tudo aquilo que é alheio, os hospitais lotados não possuem mais leitos para seus doentes e a mídia faz atualização a cada minuto sobre o número de mortes que se expande assustadoramente. Não descrevo aqui um trecho do livro de Albert Camus e nem a sinopse de algum escatológico filme de Holywood e sim a nova protagonista do momento: A gripe do porquinho.
O vírus H1N1, causador da gripe, é comum em porcos em todos os cantos do mundo, se caracteriza principalmente pelo enfraquecimento do sistema imunológico de seu hospedeiro, abrindo as portas para infecções mais graves, como a pneumonia. O vírus a princípio, não era contagioso entre seres humanos, porém, a plasticidade do micro-organismos virais é assustadoramente fantástica e através de mutações, passou a ser feita de pessoa para a pessoa. A gripe só no Brasil, matou mais de 150 pessoas e existem milhares (se não milhões) que estão com suspeitas, enfim, nada que seja inédito aos noticiários e sites.
Mas eu como um bom observador, tentei olhar um pouco além do vírus e algumas coisas me surpreenderam. Primeiramente fiquei abismado com a propagação do vírus em escala global, em menos de um mês se espalhou pelos quatro cantos do planeta, isso sem contar as gigantescas operações criadas para barrar o vírus na fronteira dos países com risco maior de contaminação. Apesar de tanto alarde, não foi possível conter esse minúsculo ser, que provoca mais mortes do que qualquer outro ser vivo no planeta.
Outra coisa que me deixou assustado foi a vulnerabilidade humana, por mais que a ciência “evolua” ¹, ainda estamos a mercê das contingências da natureza. O homem não consegue dar conta da enérgica mutabilidade de vírus e bactérias, por isso corre muito atrás desses micro seres, ou seja, a desvantagem em relação a vírus destrutíveis pode ocasionar em números gigantescos de óbitos. ESTAMOS SERIAMENTE AMEAÇADOS.
O homem está extinguindo grande parte da macro vida do planeta, porém, em relação a micro organismos podemos dizer exatamente o contrário, pois esses se encontram cada vez mais resistentes aos medicamentos até então criados, e o encurtamento das fronteiras pode fazer com que uma pessoa contraia o vírus
Não querendo ser pessimista, mas olhando sob esse prisma, isso nos parece extremamente assustador.
Será que o homem com sua vulnerabilidade ainda é o centro do Universo?
1 – Não gosto muito de utilizar essas palavras, mas empreguei-a no sentido de que a ciência hoje se mostra mais complexa.
2 – Segundo a revista Super Interessante, se colocarmos todos os seres vivos em uma balança, cerca de 80 por cento do peso total será correspondente a vírus e bactérias e grande parte desse montante ainda não foi conhecido pelo homem.

