21 janeiro 2009

Sobre a pressa...


Há alguns dias, durante a leitura do famoso livro “Alice no país das maravilhas”, me deparei com um coelho de cartola que vivia apressado para um compromisso que a estória não deixava transparecer. Não sei se Lewis Carroll ao inserir tão simpático personagem em sua fantástica história, fez uma associação a condição humana, se não fez deixou margens para traçar um curioso paralelo.
Fui ao banco um dia desses e tinha fiquei em uma fila com cerca de dez pessoas, nos primeiros cinco minutos eu já me agonizava e da minha cabeça surgiam os diversos pensamentos: “Vamos logo, preciso ir embora” ou “Que droga! Deveria ter vindo outra hora...” Por incrível que pareça, as pessoas do lado demonstravam uma ansiedade crescente em relação à fila e o desejo do cessar de tal tortura.
As observações relatadas me levantaram certas dúvidas: Por que temos tanta pressa? Aonde queremos chegar?
Uma das maiores características da contemporaneidade é o boom tecnológico, e a característica mais eminente deste “boom” é a velocidade crescente. A cada dia que se passa, tudo começa a querer adquirir velocidade supersônica, os carros, os computadores, a Internet, os telejornais e por incrível que pareça até as leituras (alguém já ouviu falar de leitura dinâmica – vide SuperInteressante do mês de Dezembro).
Nos grandes centros é comum que você olhe as pessoas sempre demasiadamente apressadas para algum fim, os poucos que fogem a esta taxonomia são os mendigos, crianças e algumas pessoas idosas. Os primeiros porque estão à margem da fulminante sociedade capitalista, os segundos, que assim como Alice, não compreendem o porquê as pessoas (coelhos) tem tanta pressa e os terceiros geralmente não estão em condições físicas de acompanhar a agilidade da contemporaneidade.
“Tempo é dinheiro” é uma das máximas mais famosas do capitalismo vigente e por incrível que pareça emplacou na sociedade de forma tão magnífica - ou não. Tal ideologia (no sentido marxista) faz com que a grande maioria das pessoas se tornem mecânicas, sempre visando um horário ou até mesmo chegar antes deste. Com isso muitas das coisas que estão ao redor se esvaem como líquido. Por exemplo: Um motorista que se apressa por chegar a seu destino, muitas vezes nem liga para uma suposta bela paisagem pela qual passou, visão que valeria a pena dar uma freada no veículo só para contempla - lá. A cada dia que se passa, isto se perde e agimos como robozinhos que são programados a chegar a um destino sem interferências.
Cerca de três anos atrás, vi uma reportagem sobre um escritor (posso estar equivocado) que sofreu um ataque cardíaco decorrente de um engarrafamento. O suposto ataque cardiovascular foi causado pela ansiedade de chegar a seu destino, por sorte este episódio não foi fatal, mas como há males que vem para o bem, o nosso personagem decidiu fazer uma campanha para atenuar a pressa das pessoas. Comprou uma tartaruga e foi para os semáforos, e as pessoas que demonstravam pressa ele sugeria a ela atravessarem a faixa com a tartaruga. Apesar de se contra o abuso para com animas (coitada da tartaruga), achei esta uma oportunidade engraçada e uma boa iniciativa para chamar a atenção de que nem sempre a pressa ajuda muito.
Ressalto aqui que às vezes é preciso em meio à pressão pragmática do dia-a-dia, parar e pensar se devemos ficar tão nervosos por causa de uma fila de banco, cinco minutos no dentista, dez minutos no cabeleireiro, trinta no engarrafamento...

(Texto inacabado por falta de tempo :P)

2 comentários:

Sil Drabeski disse...

A pressa é inimiga da perfeição!

E o mundo contemporâneo exige mais agilidade... compulsoriamente, ou nos esmaga... será que temos que desacelerar ou compactuar e padecer com essa doença de falta de tempo dos ultimos tempos??

Virei visitá-lo mais vezes! Linkei seu blog ao meu blogroll de blogs lidos!
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Outsider disse...

Licença, meu rei... "dias atrás" ou "há alguns dias".