02 setembro 2008

FILOSOFIA HOJE: Platão e a política



Você já deve ter ficado injuriado com os escândalos e atos incoerentes praticados por políticos. Fique sabendo que além de você, um grande gênio da humanidade se revoltou completamente com a estrutura política de sua época. Seu nome era Aristócles, mais conhecido como Platão.
Este grande filósofo teve um bom motivo para se revoltar. Acreditava piamente que seu mestre e maior ídolo, o filósofo Sócrates, tinha sido condenado à morte injustamente por políticos. Sócrates morreu por ser perigoso para os interesses da Democracia ateniense, até porque (não diferente de hoje) tais políticos não queriam ter eleitores pensantes.
A revolta de Platão foi tão grande (ao contrário dos nossos contemporâneos ele não se contentou apenas em votar nulo) que elaborou teoricamente uma Sociedade perfeita (isto na cabeça dele). A República foi um verdadeiro sonho que fez com que o pai da Metafísica fosse preso por querer instaurar a concepção de estado que tanto defendia.
Seu estado ideal era dividido por classes sociais heterogêneas, cada qual com uma função específica:

A primeira classe era composta pelas pessoas normais (sem a força de um soldado e a inteligência de um filósofo) que movimentavam a economia da Sociedade;
A segunda classe era composta por homens em que prevalece à força e o amor a guerra, estes constituem o exército que tem como fim proteger o Estado das diferentes ameaças;
A terceira classe era composta por filósofos e era tida como a principal, pois na ótica de Platão, a razão era sinônimo de virtude, o que era indispensável para o exercício da política.

Na cabeça de Platão, esta sociedade constituía o equilíbrio entre as forças humanas e o Estado.
A classe com maior responsabilidade era a última. Cabia aos filósofos a função de coordenar os rumos políticos da República. Para exercer magnífica responsabilidade exigiam-se pessoas virtuosas e era comum na Grécia clássica o pensamento de que a sabedoria mantém uma relação intrínseca com a virtude. Portanto segundo o filósofo ateniense, para um homem governar era preciso uma vida sábia e virtuosa, pois esta ditaria os rumos do estado.
Contextualizando a filosofia política de Platão, você acredita que a virtude é o que impera em nossos políticos?
Aposto que se Platão vivesse hoje iria arrancar os poucos cabelos de sua cabeça, até porque, o que você menos vê nos dirigentes da sociedade é a virtude.
Estamos imersos em um período onde a política virou um verdadeiro espetáculo. Eleito é aquele que mais gasta (ou com propaganda... ou com cestas básicas), com isso são elaboradas as mais diferentes técnicas para ludibriar as massas na conquista do maior número de votos. O pior é que muitos dos que tentam se eleger tem como fim seu status e não a melhoria do estado.
O eleitor é plenamente responsável pelo seu voto e por quem ele elege, por isso é indispensável que antes de votar o cidadão esqueça a merchandising política e tente saber mais sobre o passado e as futuras intenções de seus políticos e raciocine se estas têm diretrizes benéficas à sociedade.
Como Platão, você tem o direito de buscar uma sociedade melhor, porém só cabe a você dizer quais são os valores que seu candidato deve ter, por isso não hesite e cobre o máximo que puder.

Para saber mais leia a obra República de Platão
Texto elaborado por Felipe Camargo, aluno de Filosofia – USC

2 comentários:

Wellington A.M. disse...

Felipe, parabéns pelo texto, cara. Penso que ficou muito interessante para ser lido. A linguagem que usou é acessível a grande parte das pessoas. As idéias estão postas de forma clara e coerente. Você foi muito feliz ao fazer o paralelo entre Platão e a Política atual, tornou-se contundente. Não há problema algum com seu texto, tenho até que dizer que você escreveu muito bem. A única contrariedade que vejo não é em relação ao texto, mas ao Informativo, pois este parece pequeno demais para seu texto. Vou ver se te mando minhsa poesia sobre Platão também, para você analisar. Até mais, cara. Abraço.

Outsider disse...

Meu caro Felipe,
Acredito que no nosso contexto, parar de votar seria a única maneira de dar um chacoalhão em Brasília.
O Sistema está defasado e, aliás, nunca funcionou neste Brasilzão de ninguém!