13 novembro 2009

Um pouco sobre Heidegger...


O mistério do ser foi o grande desafio para a filosofia de Martin Heidegger. Nascido na Alemanha, em setembro de 1889, formou-se na Universidade de Freiburg, em meio a influência de diversos intelectuais, dentre os quais o “Pai da Fenomenologia”, Edmund Husserl, seu grande mestre, do qual também foi assistente. Em 1927, publica sua obra mais famosa Ser e Tempo (Zein und Zeit), que o projetou internacionalmente, abordando principalmente a temática do Ser. Em 1933, filiou-se ao partido nazista e passou dez meses como reitor nacional-socialista em Freiburg, onde suas radicais idéias de renovação da academia alemã culminaram em sua demissão. Após o episódio, sentindo-se frustrado com a política, isolou-se do convívio social. Morreu em 1976 deixando milhares de páginas escritas, sempre evidenciando mais as perguntas do que respostas.
O método fenomenológico é evidente na problemática de Heidegger, que parte do conhecimento imediato do que se apresenta à consciência (o ente) para atingir uma problemática mais profunda (o ser). Como ponto de partida, o filosofar deve partir da existência humana (chamado por Heidegger de “Dasein”, traduzido ao português por ser-aí) e suas relações no tempo para chegar à questão mais profunda de todas: O que é o ser?
Na análise do Dasein, o filósofo chega a alguns conceitos fundamentais da existência: O homem existe em um mundo factual, imerso em condições históricas, sociais, ambientais e econômicas; A partir disto, o homem busca projetar-se além de si, ou seja, sempre constrói planos de ir além de sua condição presente; Contudo, o eu que fundamenta o projeto, entra inevitavelmente em decadência (ruína) ao se chocar com os outros, dissolvendo-se ante o impessoal do outro.
O modo de ser do homem é fazer da vida um projeto; porém, tal projeto sempre se acha aberto a diversas possibilidades, o que gera no homem a angústia. A angústia é entendida por Heidegger como “manifestação do nada”, pois que sempre nos angustiamos diante de algo indefinido. Para evitar essa angústia inafastável, o homem acaba por mergulhar em uma fuga no impessoal: A existência inautêntica. Essa fuga é caracterizada pelo afastamento e anulação de si mesmo em relação ao outro.
Por outro lado, há a existência autêntica que é aquela que se enfrenta e se reconstrói a partir do nada. Mas de que nada estamos falando aqui? Como o existir se finda na morte (vez que na perspectiva heideggeriana, não há esperança de vida pós-morte), então depreende-se que o limite do homem é dado pelo tempo, pelo prazo de vida de cada um. A morte é esse nada que revela nossa finitude como seres humanos. Não há céu, nem Deus, nem esperança para nos acolher: o ser resta entregue a si mesmo, ao nada que sempre foi. O morrer é a consolidação do nada como definição existencial.
Ser autêntico é se afirmar diante dos projetos futuros, considerando tudo isso. A existência, na sua forma mais autêntica, só pode se dar dentro do tempo, interligando o passado e o presente (o que me tornei) aos projetos futuros (o que poderei ser), sempre tendo sob horizonte a idéia da morte e a consolidação do momento.
Heidegger busca assim uma síntese entre o existencialismo de Kierkegaard e a fenomenologia de Husserl, desconstruindo em certa medida os dualismos artificiais típicos da metafísica clássica como, por exemplo, “ser versus aparecer” e “corpo versus alma”, enquanto conserva a irredutível independência entre "eu" e o "próximo" e indo ao encontro da verdadeira filosofia, aquela que transcende o mundo do mero ente e busca no mistério da metafísica as respostas sobre o ser.

O autor Felipe Camargo é graduando em Filosofia pela USC –Bauru, sob a orientação do prof. Silvio Motta Maximino (JORNAL DA CIDADE - 9/11/2009 - Bauru)

3 comentários:

Nathalia disse...

Você é ótimo mesmo!

e disse...

ENCONTREI ESSE SITE AGORA POUCO AMEI SEREI SUA SEGUIDORA...

Ed disse...

Oi acabo de receber 3milhões de incontáveis dolares e não gostaria de dividir isso com minha atual mulher pode me ajudar? Sou esquizofrenico e tenho interesse na Renata a primeira que é mãe de meus dois filhos, mais teologicamente não combinamos. Sei que é só um caso de ajuste filosofico...por favor me dê uma luz