11 fevereiro 2009

Luz de Inverno e o sentido da vida


Período de crise existencial, de reflexão, de mudanças. Todos passam por isso (eu espero que sim, pelo menos). Alguns passam mais vezes... Eu, por exemplo, estou em minha enésima crise existencial. E, como não poderia deixar de ser, estou achando essa a pior de todas (o que não significa, necessariamente, que seja). Ouvindo Eleanor Rigby, uma daquelas músicas que nos deixam mais pra baixo que cu de arraia três dedos, me lembrei de Luz de Inverno, filme do genial Ingmar Bergman. E ele diz bastante sobre o momento em que vivo agora.

O filme conta a história de Thomas, um pastor em crise com a sua fé e que, ainda pra ajudar, é assediado por uma senhora de quem ele não gosta. Ele já não consegue ajudar o seu pequeno público em suas crises, tanto que um dos fiéis acaba cometendo suicídio após uma frustrada "consulta" com ele.

Mas a intenção do post não é contar o filme - pois o ideal é vocês assistirem-no, - e sim ressaltar aquilo que eu captei dele, que é sua fala sobre o sentido da vida. O que eu acho mais interessante em Luz de Inverno, é que mesmo o pastor estando numa crise profunda, e com sua igreja tendo pouquíssimos fiéis, ele continua a exercer o seu ofício diariamente. O que remete ao trecho de Eleanor Rigby:

Father Mckenzie, writing the words of a sermon
That no one will hear
No one comes near
Look at him working, darning his socks in the night
When there's nobody there
What does he care?
Para que fazer algo que não gostamos? Porque continuamos a viver uma vida inautêntica, que não nos agrada, que não nos significa nada? Porque o medo da mudança, mesmo que radical, se ela nos fizer bem, se for o que queremos?

Mas as perguntas não param por aí... Para que fazemos o que fazemos? Qual o propósito diário, o que nos faz levantar todos os dias e vivê-lo? Para que trabalhar? Para que ganhar dinheiro? Para que obter o conhecimento?

Para conseguir um lugar no paraíso? Para que viver eternamente? Para que evoluir enquanto espírito? Para que melhorar a vida daqueles que virão? Eles virão mesmo? Haverá um futuro? Se houver, seriam eles merecedores daquilo que construiremos agora? O que eles farão com nossas descobertas? Será que nós, atualmente, merecemos a herança do conhecimento que nos foi deixada? Ou mesmo a consequência negativa do que aconteceu antes de termos o poder de intervir na história?

Milhões de perguntas como estas, de por ques e para ques, rodopiam dentro da minha cabeça. Minha vida está ligada no piloto automático, e eu me sinto como Thomas e Mackenzie, fazendo as coisas sem saber porque e nem para que. E, de todas as dores, físicas e emocionais, que eu já senti, asseguro certamente que a da falta de sentido na vida é a pior delas. Mesmo sabendo que é uma dor passageira...

3 comentários:

Nivia disse...

A relação entre o filme e sua crise existencial é muito estreita, mas espero que a partir disto, encontre uma motivação para responder algumas das perguntas que faz a si mesma. Se o padre deixou a vida no automático e não consegue lutar contra isso, você consegue. ^^ É muito complicado achar um sentido para a vida, fazer o que realmente gosta e perceber a inutilidade de dar satisfações aos outros. Mas não é impossível - ao menos o primeiro para a maioria das pessoas. Vai dar certo. Se não der, a vida é passageira de qualquer forma... apesar de toda a crueldade dela.

Beijos!

Cecília disse...

hehehe... caí de pára(-)quedas aqui! Mas li seu post e entendi perfeitamente oq vc está sentindo, pois tbm sou uma questionadora e não tenho medo disso. Foi duríssimo aceitar que a vida não faz sentido - e, pior, aceitar que não encontrarei o tal sentido. É louco. Porém, sabe oq tbm compreendi?? Que o fato de estarmos 'no desconhecido' não tira o valor de estar vivo. QUe a vida vale imensamente à pena, apesar de tudo, simplesmente porque podemos sentir e ter consciência do que sentimos [é oq nos diferencia dos outros animais. Nós sentimos e estamos conscientes disso; então questionamos, refletimos, etc.]. E daí que não tem sentido, entende? Se estamos aqui, só nos resta aproveitar oq de bom existe. Como já disse Clarice L., "Já que sou, o jeito é ser".

Picco disse...

Cecília me desculpe, mas o que nos diferencia dos outros animais é que podemos nos autodestruir.