22 dezembro 2008

Final de ano e o que sobrou de nós?


Mais uma vez estamos na véspera do feriado mais esperado do ano, principalmente pelos comerciantes, e em qualquer centro comercial nota-se a agitação das pessoas sempre atrás do presente ideal para a pessoa que ama. Constantemente vemos nos meios de comunicação pessoas felizes, consumindo e comemorando uma bela existência desejando muita paz e amor para o futuro de todas as demais pessoas, uma cena bonita e estúpida.

Desde que comecei a pensar, sempre olhei para as festas de fim de ano de uma forma realista e nunca entendi o que as pessoas realmente comemoram e assim como Sócrates, desde então venho perguntando para diversas pessoas o que elas comemoram, e como o filósofo ateniense na sua Maiêutica, sempre descubro margens para possíveis refutações.

O Natal é uma festa de origem pagã, onde comemora-se o nascimento do sol, é o momento em que o astro celeste começa a ascender-se para ganhar imponente posição no céu e os dias serem mais longos do que a noite. Vários povos pagãos comemoram essa festa e o Cristianismo (uma religião que entende de marketing) acoplou em sua doutrina ritos natalícios assim como outros costumes dos ditos pagãos. Jesus ganhava uma data de nascimento e o homem um motivo para acreditar que sua vida iria renascer, triste esperança.

O capitalismo do século XX aprendeu bem a lição e usufruiu do Natal para gerar mais receita e fazer dele o ápice de sua propagação. Festas, presentes, bebidas, papai noel, arregalias que iludem o ser humano na vã esperança de uma vida melhor, doce ilusão que se esvai no dia seguinte. Ou seja uma filantropia efêmera como tudo aquilo que vive o maldito dinheiro (Mais informações, leia Baudrillard).

Não quero aqui passar uma idéia pessimista, mesmo sendo um misantropo de carteirinha, mas gostaria que as pessoas pensassem melhor no sentido do natal, que ao invés dos presentes pudessem reavaliar seus atos e o mundo a sua volta. Pensar no outro não é dar presente de fim de ano, isso é uma mera proposta mercantilista. Pensar no outro é você agir com uma atitude ética diante de si e dos demais seres, para que tenha o direito não de comer um peru no fim de ano e sim arroz e feijão durante o ano inteiro.


P.S. Ninguém sabe quando Jesus nasceu. O Papai-noel é uma jogada de marketing da Coca-cola.



4 comentários:

[deaba] disse...

O Natal é o cúmulo da hipocrisia. Teoricamente, comemora-se o nascimento de um personagem que nem sabe se existiu de fato e que, se existiu, certamente não nasceu nessa data; Há anos é uma data meramente capitalista, não há nem a sacralidade que deveria haver, mesmo que por um motivo falso; e ainda há a falsidade em família, onde muitos se odeiam, mas figem que se amam.

Grande merda.

Rafael da Costa disse...

Olá, Felipe.
Li seu texto analítico de O Extrangeiro, e através dele parei nesse post. Adorei, também. Continue a escrever, por que isso você faz muito bem. O pensar é um fardo, mas é bom sermos lúcidos a ponto de questionar o que não pensar, mas sermos livres e deixa-los também livres: viverem sua própria realidade. Sem oprimir e desprezar, mas tentar mudar a causa do desprezo...

É algo que pode não ter valia pra você, mas como é algo que preciso adquirir e praticar, talves sirva para você também.

Mande-me um email, gostaria de conversar melhor com você. Me chamo Rafael, sou de Goiás.

jackmout@gmail.com

Abraço, ótima postagem!

Outsider disse...

Você é meu chá de Ginko Biloba, Felipe!
Dá vontade de meter umas bombas nas instituições capitalistas e te convidar para refazer a cosmovisão desse povinho na base da porrada!

Tatiana Epifania disse...

Eu também penso como você às vezes, que o natal é uma falsidade que só...mas penso também que podem existir famílias felizes que se amam, famílias que dão presentes porque querem concretizar seus sentimentos e celebram o Natal porque querem mesmo agradecer pelas dádivas que receberam de suas crenças. E meu natal é menos ruim do que muitos por aí, em que as pessoas enchem a cara e se cumprimentam com um "Feliz Natal" sem nem saberem ao certo o que isso significa. Por último, o Natal pode ser uma boa desculpa para reencontrar aqueles parentes que quase não se vê por "n" motivos. Acho até que, do ponto de vista comercial, esse ano não foi muito apelativo, (ou eu não vi muito TV, haha!) mas confesso que detesto pisca-pisca e músicas natalinas nas lojas, assim como aquele povo de gorrinho (a mais nova moda de natal)! Ah, os filmes de natal na TV também já deu, né? Se é que eu vi um bem interessante com a Penélope Cruz, não tinha nada de tradicional, acho que o nome é Anjo de Vidro.
Bjus!