14 julho 2010

“É POSSÍVEL HAVER DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SEM A DESTRUIÇÃO DA NATUREZA?”



Seguindo a ideia da Aline, vou postar meu discurso que encerrou o primeiro dia do Torneio de Debates. Como um bom sofista, elaborei um discurso otimista e politicamente correto o que foge um pouco ao meu viés.


Concluímos durante esta noite que é possível o desenvolvimento econômico sem a destruição do meio ambiente. Contudo, é necessário esclarecer que para isso ocorrer deve haver uma profunda mudança na economia. Os parâmetros econômicos têm de se consolidar de forma qualitativa e não quantitativa.
É inegável que a ação predatória do homem prejudicou a natureza, mas chegamos a um ponto na história da humanidade em que se tornou um dever do ser humano preservar o ambiente, afinal o homem é um animal exossomático (dependente da natureza), isto porque não somos sujeitos ativos diante de uma natureza passiva, como pressupôs René Descartes e Francis Bacon, e sim “células” de um organismo maior que é o ecossistema de nosso planeta – como concebeu o biólogo James Lovelock. Por isso é necessário fundamentar uma economia holística, que englobe tudo, não só os ganhos de capital, mas também a renovação, a reposição e a reutilização de recursos; a distribuição de bens econômicos para os países excluídos (segundo o economista Hugo Penteado, desde os anos 1970, a única renda real (após inflação e impostos) que subiu foi a do 1% mais rico e quase dobrou. Já a dos dois quintos mais pobres, a queda foi de 25%), a diminuição do consumo desnecessário de bens (torna-se evidente que o patamar de vida dos americanos é desnecessário e incompatível com uma política ambiental).
A economia é essencial para o desenvolvimento humano e social e uma estagnação da mesma poderia ser tão nociva a humanidade quanto as catástrofes ambientais. Por isso, é extremamente necessário a formulação de um novo padrão econômico entre esses dois extremos: Estagnação econômica e capitalismo selvagem.
Para realizar essa transmutação é necessário que haja uma revolução em escala global, uma nova educação mostre o papel tanto do cidadão comum (como o ato de não demorar no banho, ou separar o lixo reciclável) quanto do governante (punição as empresas nocivas ao ambiente, e isenção de imposto as empresas que adotam medidas sustentáveis).
Já dissemos esta noite que é possível aliar desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente. Isto porque países com ótimo índice de desenvolvimento humano, como a Noruega (que em um futuro próximo, pretende substituir sua frota de automóveis por carros elétricos movidos a energia gerada de forma sustentável) e a Dinamarca (hoje 30% da energia gerada é eólica) são exemplos de países onde existe um desenvolvimento econômico e humano através de uma política limpa.
A tecnologia também desempenha papel fundamental para atingir novas formas de desenvolvimento, pois além de ser um ótimo investimento para empresas ecologicamente corretas, pode gerar melhor aproveitamento de capital, afinal a indústria é movida por energia.
Um exemplo disso é que grandes empresários como Sergey Brin e Larry Page, donos do Google, e até Bill Gates, estão investindo bilhões no incentivo a produção de energia limpa, mostrando que além de ser um mercado correto pode ser viável para arrematar ganhos. Segundo a Revista Superinteressante, já é desenvolvida uma tecnologia que produz etanol a partir da grama, isso não passou despercebido e a empresa britânica British Petrolium já investiu mais de 500 milhões nesta nova tecnologia. Na Espanha, está previsto para 2013, a primeira usina solar do mundo. A Alemanha atualmente gera o dobro da capacidade de Itaipu através dos moinhos de vento. As usinas atômicas também renascem como uma alternativa, afinal no Japão se recicla Urânio com cada vez mais eficiência. Na Inglaterra e na Suécia uma parte do lixo produzido é queimado e o gás metano resultante é canalizado e utilizado na produção de energia. E não precisamos ir muito longe, no Paraná suinocultores já utilizam dejetos de animais como fonte de energia nas fazendas.
O homem ao longo de sua história foi capaz de vencer enormes desafios desde os seus predadores nas savanas até grandes pestes, por isso mantemos a esperança de que uma nova forma de desenvolvimento econômico vai se consolidar, afinal o próprio destino da espécie humana está em jogo.
Sob encomenda da BBC, uma pesquisa mostrou que 85% das pessoas entrevistadas em todo mundo estão dispostas para tomar atitudes e mudar hábitos para salvar nosso ecossistema e cerca de 70% das pessoas estão dispostas a pagar impostos sobre o uso do petróleo, sendo estes valores revertidos a pesquisas de novas tecnologias ambientais. O que mostra que por mais pessimista que forem as previsões, uma conscientização está ocorrendo em escala global, e a partir disso poderemos semear um novo comportamento humano.
Muitos podem nos chamar de utópicos, mas a esperança é uma condição humana e enquanto esta chama estiver acesa, haverá luta por mundo melhor, não só para nossa geração, mas para nossos filhos e netos.
Muito obrigado e boa noite à todos!

2 comentários:

Mayra Alessandra disse...

camargo vc é um grande filósofo
te admiro muito. o mundo precisa de mais pessoas como vc.

Walter Silva disse...

Também acho possível. Mas o possível nem sempre acontece.